quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lula, aquele que não entende "bulhufas de nada"

Pedro Lima (Economista e Professor da UFRJ)

Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; e que também não entende de economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 universidades públicas e estendeu mais de 40 campi], e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de bolsa para pobres em escolas particulares].

Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G- 8 [criou o G-20].
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir; hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como também na linha branca de eletrodomésticos].
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush - notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO - American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...]e entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa é autor da [maior] mudança geopolítica das Américas [na história].
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos os outros...!

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Brutalidade do Brega, por Thiago Cardoso

Algumas horas atrás eu estava correndo no Parque da Cidade (apesar de ser negro, eu juro que era por esporte) quando passei por um senhor que aparentava uns 50 ou 60 anos, calvo, de bigode volumoso e uma barriga que denunciava uma boa quilometragem de degustação do sumo da cevada. Afim de ilustrar, ele guardava alguma semelhança com o saudoso Michael V. Gazzo, o sábio siciliano Frankie Pentageli de O Poderoso Chefão II.

Ele estava sentado num banquinho e usava um aparelho que me pareceu um mp3 ligado no viva voz. Da caixinha, um nada sóbrio Waldick Soriano declamava “Esta noite, eu queria que o mundo acabasse“.

Como a maior parte dos trauseuntes eu me ri da cena. Mas o motivo maior para o riso foi só uma constatação que eu já havia feito antes e compartilhei no Twitter: o brega é um estilo musical feito sob medidas brutas para os machos.

Eu digo isso por que ele é praticamente a cueca dos ritmos musicais. É feito por homens e para homens. A mulheres podem até compor e cantar, mas elas o farão para os homens. Engana-se quem acha que o brega não passa de um monólogo dor-de-cotovelo, chifre-pra-mais-de-metro como é o caso do Sertanejo. Saliento. Me amarro em Sertanejo. Não tem coisa melhor do que encher a cara chorando por causa de uns cornos ou pelas suspeitas de tais. Alias, como já disse um sábio uma vez: “O homem sem chifres é um animal indefeso.”

Mas voltando ao ponto, o brega tem um caráter revolucionário que é sutilmente mascarado pelo tom meloso e triste das canções. Ele fala de amor, mas não aquele amor estranho aos brazucas que é vomitado por Hollywood. É mais visceral, como nós somos:

“Se um amor nasceu de uma cerveja
Outra cerveja beberei para esquecer
Um amor que surge numa mesa
Entre espumas terá que terminar“. (Entre Espumas, de Roberto Müller)
O brega é aquele estilo de música que fala dos machos que não se envergonham de se apaixonar e sofrer pelos tipos marginalizados pela sociedade, como domésticas:

“Doméstica, tenho muito que te agradecer
Doméstica, o Brasil inteiro ama você” (Doméstica, de Tayrone Cigano)

Secretárias:

“Secretária, que trabalha o dia inteiro comigo,
Estou correndo um grande perigo,
De ir parar num tribunal,
Secretária, às vezes penso em falar contigo,
Mas tenho medo de ser confundido,
Por um assédio sexual” (Secretária, de Amado Batista)

E mesmo as putas:

“Eu vou tirar você desse lugar
eu vou levar você pra ficar comigo
e não me interessa o que os outros vão pensar” (Eu vou tirar você desse lugar, de Odair José)
Esse mesmo Odair José foi o herói que, numa época de liberação sexual feminina ousou confrontar um dos pilares do status quo feminil: o anticoncepcional.

“Pare de tomar a pílula, pare de tomar a pílula
Porque ela não deixa o nosso filho nascer.” (Pare de tomar a pílula, de Odair José).

E nesse momento de Projetos de Lei que criminalizam a homofobia (que é uma palavrinha pra lá de estranha. Homofobia seria o que? Medo dos gays? Pffffff), o Falcão, com a irreverência que lhe é peculiar, escracha:

“É preciso está sempre muito alerta
Pra entender a ética das altas rodas
Mas não é preciso ser nenhum Nostradamus
Pra saber que daqui a bem poucos anos
Quem não for viado não vai estar na moda” (A sociedade não pode viver sem as pessoas, de Falcão).

Enfim, mais e mais exemplos poderiam ser lançados aqui, o que poderia tornar o relato tedioso demais. Resumindo, se você achava que o Chico Buarque enfrentando a Ditadura com uns versinhos eufemizados era foda ou que o Rock de gente como, sei lá, o “messiânico” Humberto Gessinger era libertário, eu só tenho a dizer uma coisa companheiro: vai escutar o primeiro Reginaldo Rossi que você achar pela frente.